Ensaios de um Místico Moderno

Ensaios de um Místico Moderno

Disponível: Sem estoque

Autor: H. Spencer Lewis, Ph. D, F.R.C.
Nos tempos modernos, muitos errôneos significados têm sido aplicados aos termos Místicos e Místicismo.
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Nos tempos modernos, muitos erróneos significados têm sido aplicados aos termos 'místico' e 'misticismo'. O mal-entendido mais generalizado é o que admite estarem eles ligados a fenómenos pavorosos e estranhos. Na verdade, porém, o místico é exatamente aquele que deseja e busca a verdade e o conhecimento. Detesta o supersticioso, tanto quanto o que se diz racionalista.

O místico acredita na unidade da realidade. Para ele, o corpo e a mente são apenas manifestação da Inteligência Divina.» Até mesmo tempo e espaço são, para o místico, somente indicadores das limitações da percepção humana, pois ele os considera simples variações do Absoluto, do Uno. Embora certos místicos possam negar qualquer inclinação panteís-tica, há, não obstante, efetivamente, em todos os ensinamentos místicos, a infiltração da crença de que a Inteligência Divina tudo penetra. Desde que para o místico todas as coisas se resumem numa única realidade, e, além disso, desde que essa realidade é por ele tida como Inteligência Divina, então essa Inteligência deve, de algum modo. ser inerente a tudo que existe.

Crê fundamentalmente o místico que pode receber iluminação divina, ou cósmica, através do Eu subconsciente. A ele se manifesta, durante a meditação, um conhecimento revelado que, intuitivamente, aceita como verdade. A revelação se faz tão clara que, para ele, o conhecimento não requer seja substanciado pela razão. O místico acredita, ainda, que nenhum intermediário se faz necessário para o con-tato direto com a realidade única, que poderá chamar de Absoluto, Mente Universal, Deus ou Cósmico.

O místico está, de igual modo, convicto de que é ilusória a maior parte do conhecimento dos sentidos. Este carece do princípio fundamental da verdade, porque transmitido à consciência pelos falíveis sentidos receptores. O conhecimento adquirido através da intuição é, portanto, considerado divino, em origem, como se decorrente de um contato íntimo com a realidade única, e transcendendo, em importância, àquilo que os sentidos registram.

O místico, todavia, não deve, face a essa concepção, ser posto em pé de igualdade com os que*no passado negavam cinicamente qualquer valor às informações dos sentidos. O místico compreende que os seus sentidos revelam determinados aspectos da realidade, necessários à sua existência física e mortal. Essas experiências devem ser aceitas dentro de seu limitado valor. Compreende ele, porém, que a informação sensorial, ou o conhecimento perceptível, não pode proporcionar ao homem a experiência da unidade cósmica ou a introspecção na natureza do divino.

O místico não é fantasista — se for um verdadeiro místico. Poderá, às vezes, procurar fugir às atrações do mundo, para desfrutar da elevação de consciência que sente ser necessária para a harmonização com o Uno. Considera, porém, que tem a sublime obrigação moral de utilizar o fluxo de iluminação, as novas ideias ou o conhecimento revelado que recebeu. É para ele repugnante manter essa luz nos limites de sua própria consciência. A iluminação que recebeu torna-se um incentivo e um estímulo à ação, que, finalmente, vem a expressar de várias maneiras.

O místico, após um período de iluminação, deverá dispor-se a revelar a outros aquilo que considera ser o caminho místico para a conquista da felicidade. A iluminação poderá manifestar-se pela utilização de um dos talentos do indivíduo. Ele poderá tentar a pintura, a escultura ou a composição musical, que objetivará aquilo que sentiu interiormente. Desse modo, transfere ele para o mundo dos homens aquilo que acredita ser uma dádiva cósmica que lhe foi concedida.

Ao místico não está reservado apenas o campo das qualidades estética*s. Alguns grandes cientistas eram místicos ou, pelo menos, solidários com a contribuição do místico para o progresso da civilização. Nada impede seja o místico engenheiro, médico, astrónomo e homem de empresa. Deve ele permitir que sua vida seja orientada pelo fluxo de sabedoria que se lhe manifestou, provindo de uma fonte transcendental, ou, pelo menos, daquilo que considera superior ao entendimento mental.

A filosofia mística é um sistema de vida pelo qual o indivíduo che^a a adaptar-se ao seu meio ambiente, como reação à experiência íntima por que passou. Representa um desígnio superior que ele interpreta de maneira prática e que, segundo verifica, imprime em seus afazeres diários, pelo menos, parte da ordem cósmica de que se tornou consciente.

O conteúdo deste livro foi extraído de antigos escritos do Dr. H. Spencer Lewis, primeiro Impera-tor do atual ciclo de atividades da Ordem Rosacruz — A.M.O.R.C., fraternidade de filosofia mística e metafísica. Estes ensaios do Dr. Lewis não se destinavam a publicação na forma como aqui aparecem. São conselhos que dirigia, como pessoa iluminada e de grande inclinação mística, aos estudantes da Ordem que dirigia. Poderíamos dizer, para empregar uma frase clássica, que se tratava de cartas do mestre a seus alunos. Eles, porém, foram primeiramente divulgados em uma publicação exclusiva para os Membros. Os que aqui são apresentados, contudo, não violam qualquer segredo, podendo ser lidos, estudados e aplicados por qualquer pessoa, seja ou não Membro da Ordem Rosacruz.

Poder-se-ia afirmar que o Dr. Spencer Lerôls alcançou o objetivo máximo do místico, a Consciência Cósmica. Aqueles que o conheciam, porém, sabiam ser ele pessoa muito diligente. Podia, com sucesso, enfrentar as vicissitudes de seus deveres executivos e administrativos. Era proficiente na arte e na literatura, sendo igualmente incansável pesquisador, tendo projetado vários instrumentos científicos e manifestado familiaridade com os estudos realizados pela Ordem que representava.

Os ensaios aqui publicados são de grande extensão, pois, na verdade, são questões que lhe foram formuladas. Estão redigidos em seu inimitável estilo coloquial, exatamente como foram ditados para a sua secretária. Carecem da formalidade do texto dos demais livros que escreveu. A prova de sua incontrastável verdade reside no fato de serem tais conselhos tão práticos e úteis para enfrentar os problemas e mistérios da vida, hoje, como o foram quando primeiramente por ele expressados, há quase quatro décadas atrás. Conseqíientemente, são, na verdade, ensaios de um místico moderno.

Ralph M. Lewis Parque Rosacruz São José, Califórnia 15 de fevereiro de 1962
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Sumário
Prefácio   ..........................      11
I   Deus e o Cósmico  .................      19
II   Dádivas Cósmicas..................      27
III    O Livre-Arbítrio...................      33
IV    Algo Sobre o Ato de Curar.........      39
V   Reencarnação  .....................      49
VI   Centros Psíquicos..................      59
VII    Faculdades Psíquicas das Crianças .-.      67
VIII    Influências Pré-Natais..............      75
IX   A Alma nos Gémeos................      83
X    A Aura Humana e a Ciência.........      89
XI    Hipnotismo   .......................      97
XII    Amputação e Desenvolvimento Psíquico........................    105
XIII    Ciúme e Amor ....................    111
XIV    O Sono...........................    119
XV   A Fonte da Juventude .............   _127
XVI   Algo Sobre os Pressentimentos......    135
XVII    Demonstração do Poder Psíquico ....    145